Tríade aumentada
aug
0 - 4 - 8Root + major 3rd + augmented 5th
Sobre Tríade aumentada
A tríade aumentada empilha duas terças maiores: dó, mi e sol sustenido, cifrada C+ ou Caug. Sem quinta justa, ela não tem onde se apoiar — é o acorde mais instável de três notas, e sua função na música é sempre a de passagem.
Notas e fórmula
A fórmula é 1 – 3 – #5, ou 0 – 4 – 8 semitons. Duas terças maiores iguais uma sobre a outra, e a distância entre os extremos é uma sexta menor — não a quinta justa que segura as tríades comuns.
A construção é simétrica, e a simetria produz um efeito curioso: as três inversões de C+ são também tríades aumentadas. Dó–mi–sol#, mi–sol#–dó e sol#–dó–mi têm o mesmo desenho de intervalos, e o ouvido não consegue decidir qual das notas é a fundamental.
Só existem quatro delas
Como cada tríade aumentada divide a oitava em três partes iguais, C+, E+ e G#+ contêm exatamente as mesmas notas. Isso reduz o total de tríades aumentadas diferentes a quatro, contra doze maiores e doze menores.
Na prática, isso significa que qualquer acorde aumentado pode ser lido de três maneiras conforme o que vier depois. É a mesma economia que faz o acorde diminuto de sétima ser tão versátil, e pela mesma razão: simetria.
Como se toca
No violão C+ é x32110, que sai do dó maior aberto subindo apenas a terceira corda um semitom. A troca custa um dedo e é a razão de o acorde aparecer com frequência em acompanhamento popular sem que o violonista saiba nomeá-lo.
No piano as três notas cabem numa mão, e a disposição não importa muito — o acorde soa igual invertido. Vale espaçar as vozes: amontoada, a tríade aumentada fica áspera; aberta, fica apenas estranha, que é o efeito procurado.
A subida cromática do baixo
O uso mais comum dela na música brasileira está numa condução de quatro acordes: C, C+, C6, C7. A voz interna sobe sol, sol sustenido, lá, si bemol, um semitom por vez, enquanto o resto do acorde fica parado.
Essa figura atravessa seresta, samba-canção e bossa, e aparece em toda introdução de violão que quer parecer antiga. Ouvi-la é reconhecer que o arranjo está usando o aumentado como ponte, e não como acorde de direito próprio.
Como dominante disfarçado
O outro uso frequente é substituir o dominante: G+ no lugar de G antes de dó. A quinta elevada vira sensível da terça do acorde de chegada, e a resolução fica mais aguda que a comum.
Fora dessas duas funções, a tríade aumentada aparece pouco sozinha. Ela é quase sempre parte de um acorde maior — C7(#5), por exemplo — ou um instante dentro de uma condução de vozes, e não um lugar onde a música possa parar.
Perguntas frequentes
Quais notas formam a tríade aumentada sobre dó?
Dó, mi e sol sustenido — duas terças maiores empilhadas. No violão, x32110.
Por que existem só quatro acordes aumentados diferentes?
Porque cada um divide a oitava em três partes iguais: C+, E+ e G#+ contêm as mesmas notas.
Onde ela é usada na prática?
Como passagem entre a tríade maior e a sexta ou a sétima — C, C+, C6, C7 — e como substituto do dominante.