Sétima diminuta
dim7
0 - 3 - 6 - 9Diminished triad + diminished 7th
Sobre Sétima diminuta
A sétima diminuta empilha três terças menores: dó, mi bemol, sol bemol e lá, cifrada C°7 ou Cdim7. É o acorde simétrico por excelência — divide a oitava em quatro partes iguais — e o violão de choro brasileiro o usa mais do que qualquer outro repertório do mundo.
Notas e fórmula
A fórmula é 1 – b3 – b5 – bb7, ou 0 – 3 – 6 – 9 semitons. A última nota se escreve corretamente como sétima diminuta — si dobrado bemol sobre dó —, embora todo mundo a toque e a leia como lá.
Dentro dele há dois trítonos cruzados, e nenhuma nota de repouso. Essa saturação de tensão é o que faz o acorde soar sempre como caminho, nunca como destino.
Só existem três acordes diminutos
Como os intervalos são todos iguais, qualquer inversão de C°7 é outro acorde diminuto de sétima com as mesmas notas: C°7, Eb°7, Gb°7 e A°7 são o mesmo conjunto. Isso reduz o total a três acordes diferentes em toda a música.
A consequência prática é enorme para quem toca violão: uma única forma, deslocada de três em três casas, produz o mesmo acorde. Aprender um desenho é aprender o repertório inteiro de diminutos.
Como se toca
No violão a forma padrão é x3424x, e ela se repete idêntica a cada três casas acima. No piano as quatro notas cabem numa mão, o que faz do acorde um recurso barato de aproximação.
Por ser simétrico, o dedilhado nunca muda de tonalidade para tonalidade. É o único acorde do catálogo em que transportar significa apenas deslizar.
O diminuto de passagem no choro
A função mais comum é ligar dois acordes cujas fundamentais estão a um tom de distância: C, C#°7, Dm7. O baixo sobe por semitons e a harmonia ganha um degrau intermediário sem trocar de tonalidade.
No choro e no samba antigo esse recurso é estrutural, não decorativo: retirar os diminutos de uma partitura de Pixinguinha ou Jacob do Bandolim deixa a harmonia funcional e irreconhecível. Eles são parte da identidade do gênero.
Parentesco com o dominante com nona bemol
C°7 contém as mesmas notas de A7(b9) sem a fundamental. Por isso um diminuto pode substituir um dominante e vice-versa, e a escolha entre os dois costuma ser questão de qual nota fica no baixo.
Essa equivalência explica a facilidade do acorde. Cada diminuto serve a quatro dominantes diferentes, e é essa promiscuidade funcional que o torna útil em qualquer ponto de uma sequência que precise de tensão passageira.
Perguntas frequentes
Quais notas tem C°7?
Dó, mi bemol, sol bemol e lá — três terças menores empilhadas. No violão, x3424x.
Por que existem apenas três acordes diminutos de sétima?
Porque cada um divide a oitava em quatro partes iguais; suas inversões contêm as mesmas notas, e três conjuntos cobrem as doze.
Para que serve o diminuto no choro?
Para ligar acordes vizinhos, como em C – C#°7 – Dm7. É recurso estrutural do gênero, não enfeite.