Sexta maior
6
0 - 4 - 7 - 9Major + major 6th
Sobre Sexta maior
A sexta maior acrescenta a sexta à tríade maior: dó, mi, sol e lá sobre dó, cifrado C6. É um acorde de quatro notas que não tem sétima e, por isso, não cria tensão nenhuma — foi ele, e não a tríade nua, que a bossa nova adotou como acorde de encerramento.
Cuidado: acorde de sexta nem sempre quer dizer isto
Na teoria tradicional ensinada nos conservatórios, acorde de sexta é a primeira inversão da tríade — dó–mi–sol com o mi no baixo, que o baixo cifrado numera com um 6. Nada de sexta acrescentada: a nota que dá o número é a distância entre o baixo e a fundamental deslocada.
A cifra popular usa a mesma palavra para outra coisa. C6 nos cifrários brasileiros é sempre dó com lá por cima, quatro notas em estado fundamental. Quem transita entre a aula de harmonia e o caderno de cifras precisa saber que os dois sentidos convivem, e que o contexto — pauta ou cifra — é quem decide.
Notas e fórmula
A fórmula é 1 – 3 – 5 – 6, ou 0 – 4 – 7 – 9 semitons. A sexta fica um tom acima da quinta, e é a única nota acrescentada que não gera atrito com nenhuma das três originais.
Por não haver sétima, o acorde continua em repouso. Essa é a diferença essencial em relação a C7M: as duas são maneiras de enriquecer a tríade, mas a sétima maior brilha e roça a fundamental, enquanto a sexta apenas engrossa.
As mesmas notas que Am7
Dó, mi, sol e lá são exatamente as notas de Am7 numa ordem diferente. O que separa os dois acordes é o baixo: com dó embaixo o ouvido escuta C6, com lá embaixo escuta Am7.
Isso tem uso prático imediato. A mesma forma de violão serve aos dois graus, e um baixista que desce de dó para lá transforma o acorde sem que o violonista mexa a mão. Boa parte da fluidez do acompanhamento de samba vem desse tipo de economia.
Como se toca
No violão C6 é x32210, com a quinta omitida — dó, mi, lá, dó, mi. A forma sai do dó maior aberto pressionando a terceira corda, e por isso é das primeiras coisas que um violonista aprende quando começa a estudar bossa.
No piano, a mão direita costuma dispor terça, sexta e fundamental, deixando a quinta de fora. Acrescentando a nona chega-se ao C6/9, que é o acorde final por excelência do repertório brasileiro gravado a partir dos anos 1960.
Onde ela é usada
Como acorde de chegada, no lugar da tríade: terminar uma peça em C6 dá a mesma conclusão sem o gosto de exercício que a tríade pura carrega. A prática vem do jazz dos anos 1940 e chegou aqui com a bossa.
Como tônica estendida, ao longo de uma seção inteira, quando o arranjo quer estabilidade sem soar didático. E, em choro e samba antigos, como acorde de passagem entre o primeiro grau e o dominante secundário — C, C6, C7, F é uma condução que qualquer violonista de roda reconhece.
Perguntas frequentes
Quais notas tem o acorde C6?
Dó, mi, sol e lá. No violão, x32210, geralmente sem a quinta.
C6 é a mesma coisa que a primeira inversão de dó maior?
Não. Na cifra popular C6 é dó com sexta acrescentada; no baixo cifrado dos conservatórios, acorde de sexta significa a primeira inversão da tríade.
Por que C6 e Am7 têm as mesmas notas?
Porque dó–mi–sol–lá reordenado é lá–dó–mi–sol. O baixo é o que decide qual dos dois acordes o ouvido escuta.