Tríade menor
m
0 - 3 - 7Root + minor 3rd + perfect 5th
Sobre Tríade menor
A tríade menor é o acorde de três notas formado pela fundamental, a terça menor e a quinta justa. Sobre dó são dó, mi bemol e sol, e a cifra é apenas Cm. É o par escuro da tríade maior: mesma fundamental, mesma quinta, uma única nota um semitom mais grave — e é essa nota que o ouvido lê como sombra.
Notas e fórmula
A fórmula é 1 – b3 – 5, ou 0 – 3 – 7 semitons a partir da fundamental. Primeiro vem uma terça menor (três semitons) e depois uma maior (quatro): dó a mi bemol, mi bemol a sol. Na tríade maior a ordem das duas terças é a inversa, e a quinta justa de fora permanece igual nas duas — por isso ambas soam firmes, e nenhuma delas pede resolução.
As três notas se aproximam da proporção 10:12:15, bem menos simples do que o 4:5:6 da tríade maior. Essa diferença de simplicidade acústica é a explicação física do que se descreve com adjetivos: a tríade menor se funde um pouco menos, e o ouvido percebe como cor o que na origem é apenas uma razão de frequências menos redonda.
No violão: a pestana e o desvio dela
Cm no violão é o primeiro acorde que trava a mão de quem está começando, porque a forma completa é x35543 — pestana na terceira casa com a fundamental na quinta corda. Não existe forma aberta de dó menor, e é por isso que ele aparece tão pouco nas cifras de iniciante e tanto nas de música gravada.
A saída que circula em toda cifra brasileira é x3101x: dó na quinta corda, mi bemol na quarta, sol solto e dó de novo na segunda. São as mesmas notas sem pestana nenhuma. Já Em (022000) e Am (x02210) saem soltos, e essa comodidade explica boa parte da MPB estar escrita justamente em mi menor e lá menor.
Onde ela mora no campo harmônico
No campo harmônico maior as tríades menores ficam no segundo, terceiro e sexto graus: em dó maior são Dm, Em e Am. O sexto grau é o relativo menor, o acorde para o qual a música escorrega quando quer escurecer sem trocar de armadura — recurso corrente no samba-canção e em quase toda balada de rádio.
No campo harmônico menor a tríade menor ocupa o primeiro e o quarto graus, e o quinto costuma aparecer maior por causa da sensível elevada. Daí a pergunta que aparece cedo em qualquer aula: Am, Dm e E7 convivem na mesma tonalidade sem que ninguém esteja fora dela.
Maior e menor separadas por uma nota
Dó maior é dó–mi–sol; dó menor é dó–mi bemol–sol. Baixe a terça um semitom e o acorde troca de nome, de cor e de função guardando fundamental e quinta. É o menor movimento com a maior consequência de toda a harmonia tonal.
A cifra trata os dois de maneira desigual, e vale saber por quê: a letra sozinha significa sempre maior, enquanto o menor exige o m minúsculo colado à letra. Cm é dó menor; CM, com maiúscula, não quer dizer menor coisa nenhuma — em cifra brasileira é abreviação de sétima maior, e a confusão entre os dois é campeã de erros em caderno de ensaio.
Como ela soa em música brasileira
O choro e o samba usam a tríade menor como região inteira, não como efeito: Nós, os Carecas e boa parte do repertório de Pixinguinha vivem em tom menor e só visitam o maior na segunda parte. A troca de parte, e não a troca de acorde, é o que produz o alívio.
No violão popular a tríade menor pura dura pouco: quem toca acrescenta a sétima quase por reflexo e chega em Am7 ou Dm7 antes do segundo compasso. A tríade nua ficou sendo o som do rock e da viola caipira, onde a ausência da sétima é o que dá o peso.
Perguntas frequentes
Quais notas formam o acorde Cm?
Dó, mi bemol e sol — fundamental, terça menor e quinta justa. No violão, x35543 com pestana ou x3101x sem ela.
Qual a diferença entre C e Cm?
Uma nota. Dó maior tem mi natural, dó menor tem mi bemol. Fundamental e quinta são as mesmas nos dois.
Por que Cm é considerado difícil no violão?
Porque não existe forma aberta: a versão completa exige pestana na terceira casa. A redução x3101x dá as mesmas três notas sem pestana.