Sétima menor
m7
0 - 3 - 7 - 10Minor + minor 7th
Sobre Sétima menor
A sétima menor é a tríade menor com a sétima menor acrescentada: dó, mi bemol, sol e si bemol sobre dó, cifrado Cm7. É o acorde mais macio do repertório de quatro notas — nenhum trítono dentro dele — e o que mais aparece no violão brasileiro depois das tríades.
Notas e fórmula
A fórmula é 1 – b3 – 5 – b7, ou 0 – 3 – 7 – 10 semitons. Todas as terças empilhadas são menores ou justas nos extremos, e o resultado é um acorde sem nenhum intervalo que peça movimento.
Comparado ao Cm puro, a sétima acrescentada não escurece: ela alarga. A tríade menor sozinha soa fechada, quase severa; com a sétima, o mesmo acorde ganha ar e passa a caber em qualquer andamento lento.
Como se toca
No violão Cm7 é x35343 com pestana; Am7 (x02010) e Em7 (020000) saem soltos e por isso dominam as cifras de canção brasileira. Trocar Am por Am7 custa retirar um dedo, e essa economia explica boa parte do som do gênero.
No piano vale a mesma redução dos outros acordes de quatro notas: fundamental na esquerda, terça e sétima na direita. Acrescentar a nona por cima transforma Cm7 em Cm7(9), passo automático em arranjo de bossa.
O segundo grau e o II–V
No campo harmônico maior a sétima menor ocupa o segundo, o terceiro e o sexto graus. O segundo é o mais usado de longe: Dm7 seguido de G7 é a fórmula de aproximação mais frequente da música popular do século XX.
Esse par, o II–V, é a unidade que o músico brasileiro reconhece de ouvido antes de saber o nome. Uma peça de bossa nova inteira pode ser descrita como uma sequência de II–V em tonalidades sucessivas, e é assim que ela costuma ser ensinada.
Uso modal: parada, sem ir a lugar nenhum
Fora da cadência, Cm7 funciona como área estática: um acorde por oito compassos, com a melodia passeando pelo modo dórico ou eólio. O samba-jazz e a MPB instrumental dos anos 1960 usaram muito esse recurso, herdado do jazz modal.
É justamente nesse uso que ele deixa de ser passagem e vira paisagem. Sem sétima maior nem trítono, o acorde não tem para onde puxar — e essa neutralidade, que em cadência seria fraqueza, aqui é a razão de escolhê-lo.
Cm7 e Cm7(b5): uma nota de distância
Baixe a quinta de Cm7 e o acorde vira Cm7(b5), o meio-diminuto. Aparece no segundo grau do campo harmônico menor, e é ele quem prepara a cadência em tom menor: Dm7(b5) – G7 – Cm.
Confundir os dois é comum na leitura rápida, porque a diferença é um único bemol dentro do parêntese. O ouvido, porém, não se confunde: o meio-diminuto tem trítono, e por isso pede continuação, enquanto Cm7 fica onde está.
Perguntas frequentes
Quais notas formam Cm7?
Dó, mi bemol, sol e si bemol. No violão, x35343; Am7 e Em7 são as formas abertas equivalentes.
O que significa o II–V?
A sequência do segundo grau menor com sétima seguido do quinto grau dominante — em dó maior, Dm7 e G7. É a aproximação mais comum da música popular.
Qual a diferença entre Cm7 e Cm7(b5)?
A quinta. No meio-diminuto ela é bemol, o que cria um trítono e faz o acorde pedir resolução; Cm7 não tem trítono.