Leitura de partitura
Nomes das notas musicais: dó ré mi e a cifra C D E
O mesmo som tem dois nomes: uma sílaba — dó, ré, mi — e uma letra — C, D, E. O Brasil usa os dois todo dia: as sílabas para falar e cantar, as letras na cifra. Nomeiam exatamente os mesmos sons, e a confusão só aparece onde os dois sistemas se cruzam sem coincidir.
Esta página faz parte do guia de leitura de partitura.
Duas séries de nomes para um som só
A série silábica é dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. A alfabética é C, D, E, F, G, A, B. Lado a lado: dó é C, ré é D, mi é E, fá é F, sol é G, lá é A, si é B.
Essa linha resolve quase toda a confusão. Sobram três pontos em que os sistemas realmente divergem, e cada um custa uma nota errada mais cedo ou mais tarde.
A cifra é o sistema alfabético
Toda cifra brasileira usa letras: C, Am, G7, F#m. Quem toca violão lê esse sistema desde a primeira aula, mesmo tendo aprendido a cantar em dó ré mi.
A conversão é imediata: C é dó maior, Am é lá menor, G7 é sol com sétima, F#m é fá sustenido menor. Saber a linha de correspondência transforma qualquer cifra em algo legível sem decorar acorde por acorde.
De onde vêm dó, ré, mi
As sílabas vêm de Guido d'Arezzo, no século XI: ele pegou um hino cujas linhas começavam sempre um grau acima e deu aos sons o nome da primeira sílaba de cada linha — ut, ré, mi, fá, sol, lá. Depois ut virou dó e si foi acrescentado para o sétimo grau.
As sílabas parecem pedaços de latim porque são. O sistema nasceu para cantar, não para escrever, e para a voz continua funcionando melhor que as letras.
H no lugar de B: a armadilha alemã
Nos países de língua alemã, além de Polônia, Chéquia, Hungria e Escandinávia, o nosso si é escrito H, e a letra B indica o si bemol. Uma partitura alemã em H-Dur é o que chamamos de si maior.
A origem é medieval: a forma abaixada era escrita com um b redondo e a natural com um b quadrado, lido depois como h. O sobrenome Bach forma uma melodia nesse sistema — si bemol, lá, dó, si — e só funciona com as letras alemãs.
Dó fixo e dó móvel
No Brasil dó é uma altura: dó é sempre C, esteja a música em qualquer tom. No solfejo de tradição anglo-saxã, dó é um grau: é a primeira nota do tom em que se está, então em sol maior dó corresponde a sol.
Dois músicos podem dizer dó e falar de sons diferentes. Nenhum está errado: o dó fixo nomeia altura absoluta e o móvel nomeia função. Quem canta com dó móvel transpõe com mais facilidade, porque a sílaba acompanha o grau e não o tom.
Sustenidos e bemóis em cada sistema
Em português a alteração vem em palavras: dó sustenido, mi bemol. Na cifra vira símbolo: C♯ e E♭, ou C# e Eb no teclado do celular. O alemão usa sufixos — Cis para dó sustenido, Es para mi bemol.
É a mesma coisa dita de três jeitos. Saber que Cis, dó sustenido e C sharp são o mesmo som evita procurar uma nota que não existe.
Para onde ir agora
O nome diz qual altura; onde ela fica na pauta é decidido pelo sinal inicial — veja as claves. Quanto cada nota dura é outro assunto: as figuras.
Perguntas frequentes
Quais são os nomes das notas musicais?
No sistema silábico: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. No alfabético, usado na cifra: C, D, E, F, G, A, B. A correspondência é exata — dó é C, ré é D, e assim até si, que é B.
Como ler cifra sabendo só dó ré mi?
Basta a linha de correspondência: C é dó, D é ré, E é mi, F é fá, G é sol, A é lá, B é si. Assim Am é lá menor, G7 é sol com sétima e F#m é fá sustenido menor.
Por que na Alemanha escrevem H em vez de B?
Porque lá H designa o som que chamamos de si, e a letra B fica reservada ao si bemol. Vem da notação medieval, que usava um b redondo para a forma abaixada e um b quadrado para a natural, lido depois como h.
Dó é sempre C?
No dó fixo, usado no Brasil e nos países latinos, sim. No dó móvel, comum no ensino anglo-saxão, dó é o primeiro grau do tom atual, então em sol maior dó corresponde a sol.
Como se escrevem sustenido e bemol na cifra?
Com os símbolos ♯ e ♭, muitas vezes digitados como # e b: C# é dó sustenido e Eb é mi bemol. Em alemão viram sufixos, Cis e Es, e em inglês palavras, C sharp e E flat.
Qual sistema devo aprender?
Os dois, e mais cedo do que parece: no Brasil a cifra está em toda parte e o solfejo em dó ré mi também. Entender que si e B são a mesma nota leva uma tarde e evita anos de confusão.
Ouvir o nome, ver a nota
Escreva uma linha no estúdio e veja a mesma nota aparecer na pauta, no teclado e no braço do violão. Os nomes mudam entre tradições; o som não.