Cromática
1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1Sobre Cromática
A escala cromática contém as doze notas da oitava, cada uma a um semitom da seguinte. A partir de dó são dó, ré bemol, ré, mi bemol, mi, fá, sol bemol, sol, lá bemol, lá, si bemol e si.
Uma escala que não deixa nada de fora
Qualquer outra escala se define pelo que omite. A maior deixa de fora cinco notas, a pentatônica sete, e são justamente os vãos que dão a cada uma uma forma que o ouvido reconhece. A cromática não omite nada, então não há vãos nem forma.
Daí decorre logo o essencial: ela não estabelece tonalidade. Qualquer nota serve de tônica porque as doze estão igualmente disponíveis, e por isso a escala soa como movimento e não como lugar. É o material de que a música é feita, não um jeito de organizá-la.
Para que serve de fato
O cromatismo, ao tocar, quase nunca é uma corrida pela escala: é uma aproximação cromática, uma nota meio tom abaixo ou acima do alvo, chegando no tempo. As linhas de bebop são cheias delas, e uma nota de aproximação bem posta rende mais do que uma subida inteira.
O segundo uso é a nota de passagem entre dois graus a distância de um tom — de dó a ré por ré bemol — que preenche o vão sem mudar de tonalidade. Fora da música tonal a escala vira matéria-prima do dodecafonismo, cujo sentido está exatamente em nenhuma nota mandar mais que outra.
Escrita: sustenidos subindo, bemóis descendo
As mesmas doze alturas se escrevem de dois jeitos conforme a direção. Subindo, as notas alteradas costumam levar sustenido — dó, dó sustenido, ré, ré sustenido, mi — porque cada uma puxa para a de cima; descendo, levam bemol, já que cada uma puxa para baixo.
A convenção não é enfeite. Um sustenido pede ao ouvido que espere uma subida e um bemol uma descida, então uma linha bem escrita se lê à primeira vista; escrita com desleixo, obriga o intérprete a deduzir a direção pelo contexto.
No violão e no piano
A escala cromática é o aquecimento padrão nos dois instrumentos, e por razões opostas. No violão são quatro dedos em quatro casas seguidas passando de corda em corda: o jeito mais econômico de fazer cada dedo trabalhar por conta própria.
No teclado a dificuldade está no polegar: tocar as doze notas parelhas exige passá-lo por baixo no instante certo, e é por esse movimento que a escala é dada como exercício muito antes de servir como material.
A palavra vale para muitas outras coisas
No corte de buscas em português a teoria não vem primeiro: Chromatica soma 1300 consultas por mês, chromatica lady gaga outras 390 e chromatica ball tour mais 110. Trata-se do álbum e da turnê de Lady Gaga, não de música teórica.
Longe da música a palavra pertence à cor: nomeia catálogos de tinta, um efeito de gradação em programas de vídeo e a aberração cromática na óptica. Há ainda a gaita cromática, que é um instrumento. Acrescentar a palavra escala separa a teoria do resto.
Perguntas frequentes
Quais notas a escala cromática tem?
As doze: dó, ré bemol, ré, mi bemol, mi, fá, sol bemol, sol, lá bemol, lá, si bemol e si. Cada passo é um semitom.
Em que tonalidade ela está?
Em nenhuma. Como contém todas as notas, nenhuma é favorecida e nenhuma tonalidade se firma.
Como se usa?
Sobretudo como notas de aproximação e de passagem dentro de outra escala, e como matéria-prima do dodecafonismo.
Por que sustenidos subindo e bemóis descendo?
O sustenido sugere movimento para cima e o bemol para baixo, então a escrita já diz para onde a linha vai.
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