TerryTrilla

Sétima de dominante #9

7#9

Acordes alterados
5 notasIntervalos:0 - 4 - 7 - 10 - 15

Hendrix chord

Sobre Sétima de dominante #9

A sétima de dominante com nona sustenido acrescenta ao dominante uma nona elevada: dó, mi, sol, si bemol e ré sustenido, cifrada C7(#9). A nona sustenido é enarmonicamente a terça menor, e é essa convivência de terça maior e terça menor no mesmo acorde que produz seu som áspero e inconfundível.

Notas e fórmula

A fórmula é 1 – 3 – 5 – b7 – #9, ou 0 – 4 – 7 – 10 – 15 semitons. O ré sustenido soa igual a mi bemol, que seria a terça menor — o acorde tem, na prática, as duas terças ao mesmo tempo.

A grafia com sustenido não é capricho de notação. Escrever mi bemol faria o acorde parecer menor; escrever ré sustenido registra o que ele é, um dominante com a nona elevada, e mantém coerente a leitura da escala que o acompanha.

Como se toca

No violão a forma clássica é x3234x, com a fundamental na quinta corda e a nona sustenido na segunda. A quinta some, e ninguém sente falta: o que define o acorde é o par terça e sétima mais a nona elevada.

No piano a colocação importa muito. A nona sustenido precisa estar bem acima da terça maior; se as duas ficarem no mesmo registro, o resultado é um choque de semitom que soa como engano em vez de cor.

De onde vem o som

A combinação nasce do blues, onde a melodia usa a terça menor sobre acordes maiores o tempo todo. O acorde apenas escreve isso: harmoniza a nota que o cantor já cantava por cima de um dominante comum.

No Brasil ele entrou pela música negra dos anos 1970 — o soul e o funk brasileiros de Tim Maia e da Banda Black Rio usam esse dominante como acorde de base, não como passagem, e é dali que ele chegou às cifras nacionais.

Função e resolução

Como qualquer dominante, C7(#9) puxa para fá. A nona elevada aumenta a tensão sem mudar a direção, e a resolução costuma ser mais dramática do que a do dominante simples.

Também funciona parado, sobre um vamp de dois acordes, sem nenhuma intenção de resolver. É nesse uso que ele aparece em riff de guitarra e em base de sopros, onde o acorde é textura e não função.

Na família dos dominantes alterados

C7(#9) é um dos quatro dominantes de uma nota alterada, ao lado de C7(b9), C7(#5) e C7(b5). Cada um tensiona uma região diferente do acorde, e o #9 é o que soa mais áspero por conta do atrito com a terça.

Alterando a quinta junto com a nona chega-se aos dominantes de duas alterações e, no limite, ao acorde alterado completo. A partir daí o acorde deixa de ser dominante com cor e passa a ser um bloco de tensão inteiro.

Perguntas frequentes

Quais notas tem C7(#9)?

Dó, mi, sol, si bemol e ré sustenido. No violão, x3234x, geralmente sem a quinta.

A nona sustenido não é a mesma coisa que a terça menor?

Soa igual, mas escreve-se diferente. A grafia com sustenido registra que o acorde é dominante com nona elevada, não um acorde menor.

Onde esse acorde é usado no Brasil?

No soul e no funk brasileiros, como acorde de base de riff, e em qualquer dominante que precise de mais aspereza antes de resolver.