Bebop dominante
2 - 2 - 1 - 2 - 2 - 1 - 1 - 1Sobre Bebop dominante
A escala bebop dominante é 1 2 3 4 5 6 ♭7 7: o modo mixolídio com a sétima maior devolvida como nota de passagem. A partir de dó dá dó, ré, mi, fá, sol, lá, si♭ e si — oito notas em vez de sete. A oitava nota não acrescenta cor e sim ritmo: com ela, num fluxo contínuo de colcheias, as notas do acorde caem sempre no tempo forte.
Para que serve a oitava nota
Uma escala de sete notas tocada em colcheias desliza uma posição a cada compasso: começa em dó ré mi fá sol lá si♭ e, no compasso seguinte, a terça do acorde cai no contratempo. Oito notas corrigem o deslize. Tocando a escala bebop dominante em colcheias a partir de qualquer nota do acorde, fundamental, terça, quinta e sétima menor continuam caindo no tempo, compasso após compasso.
O projeto é só isso. David Baker a descreveu nos anos setenta para pôr no papel o que Charlie Parker e Dizzy Gillespie já tocavam, e a nota acrescentada é engenharia rítmica, não uma cor nova. Nota de passagem, comporta-se como nota de passagem: atravessa-se, não se para nela.
O bebop como estilo e como escala
Bebop nomeia primeiro um estilo de jazz dos anos quarenta e só depois um grupo de escalas. Quem procura a palavra chega quase sempre ao estilo, às gravações de Parker, Gillespie e Bud Powell, ou a uma série de animação: as escalas são a parte técnica e menor do mesmo nome.
A ligação, ainda assim, é real. As escalas foram formuladas depois, para explicar como as linhas desse estilo estavam construídas. Descrevem música já tocada e não são receita, de modo que quem as usa como material de estudo deveria ouvir as gravações ao lado.
Ao piano
Ao piano a escala bebop dominante costuma entrar pela mão direita em colcheias contínuas sobre um acompanhamento simples na esquerda, e é aí que a oitava nota se justifica sozinha: sem ela a linha desafina do compasso em dois compassos, com ela permanece encaixada indefinidamente.
O exercício seguinte é o cerco. Escolha uma nota do acorde, aproxime-se dela por um semitom acima e um semitom abaixo, e use a nota acrescentada como uma das metades do par. O som do estilo mora nesse gesto, não na escala subindo e descendo.
O acorde por baixo
Acordes de sétima da dominante são o lugar próprio da escala: C7 e, com ele, toda a cadência II–V–I em fá. Sobre o segundo grau, Gm7, as mesmas oito notas continuam valendo, porque os dois acordes pertencem à mesma tonalidade. Quem pensa uma escala por compasso e quem pensa uma a cada dois chegam aqui ao mesmo resultado.
As mesmas notas cobrem ainda os quatro primeiros compassos de um blues em dó. Daí o ensino precoce: um único dedilhado leva o iniciante mais longe num blues de jazz do que qualquer escala de sete notas.
Perguntas frequentes
Quais notas tem a escala bebop dominante?
Oito: 1 2 3 4 5 6 ♭7 7. A partir de dó são dó, ré, mi, fá, sol, lá, si♭ e si.
Qual a diferença para o modo mixolídio?
Uma nota. O mixolídio é 1 2 3 4 5 6 ♭7; a escala bebop acrescenta a sétima maior como nota de passagem entre a sétima menor e a fundamental.
Sobre qual acorde se toca?
Sobre um acorde de sétima da dominante — C7 a partir de dó — e sobre o II–V que conduz a ele.
Dá para sustentar a nota acrescentada?
Não. É nota de passagem e bate com a sétima menor um semitom abaixo. Atravesse-a e chegue a uma nota do acorde.
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