Maior duplamente harmônica
Esta escala também é conhecida por outros nomes: Byzantine, Arabic, Gypsy Major.
1 - 3 - 1 - 2 - 1 - 3 - 1Sobre Maior duplamente harmônica
A escala dupla harmônica maior — mais conhecida como escala bizantina — é 1 b2 3 4 5 b6 7. A partir de dó: dó, ré bemol, mi, fá, sol, lá bemol, si, com duas segundas aumentadas dentro dela: entre a segunda rebaixada e a terça, e entre a sexta rebaixada e a sétima.
Duas segundas aumentadas, e por que definem a escala
A maioria das escalas anda por semitons e tons. Esta tem dois vãos de três semitons, dispostos simetricamente em torno da quinta. Essa simetria se ouve: a metade de cima responde à de baixo, e o ouvido reconhece a forma muito antes de saber nomear as notas.
Esses dois intervalos são toda a identidade dela. Tire qualquer um e a escala desaba em algo comum: sem o primeiro vira a maior harmônica, sem o segundo o frígio dominante.
Os muitos nomes de uma escala só
Bizantina é o nome pelo qual ela circula em português. Na prática árabe esses mesmos intervalos formam o Hijaz Kar; na música clássica indiana o equivalente mais próximo é o thaat Mayamalavagowla, a escala com que começa o ensino na tradição carnática. A teoria ocidental diz dupla harmônica maior, e também aparece maior cigana.
Os nomes vêm de tradições diferentes descrevendo as mesmas sete notas, e nenhum deles é dono dela. Vale saber ao ler material didático: um texto sobre maqamat e um livro de jazz podem estar ensinando a mesma escala com palavras que não têm nada em comum.
Como montar a partir de qualquer tônica
Contando: semitom, segunda aumentada, semitom, tom, semitom, segunda aumentada, semitom. Em dó dá dó ré♭ mi fá sol lá♭ si; em mi — tonalidade comum para ela no violão — mi fá sol♯ lá si dó ré♯; em ré, ré mi♭ fá♯ sol lá si♭ dó♯.
O padrão é simétrico e por isso se memoriza com facilidade incomum: a segunda metade repete a forma da primeira uma quinta acima. Violonistas costumam aprendê-la numa posição e transportá-la, porque o dedilhado não muda com a tonalidade como muda o de uma escala diatônica.
Os acordes que ficam embaixo
A tríade de tônica é maior e a escala se assenta nela sem discussão, mas a harmonia em volta se comporta de forma incomum: o segundo grau dá um acorde maior um semitom acima da tônica, e esse par — I e ♭II — é o som que a maioria associa à escala antes mesmo de qualquer melodia.
Na prática usa-se sobre uma tônica parada, não através de uma progressão. Dê a ela um bordão ou um pedal e ela fala; conduza-a por harmonias que mudam e as duas segundas aumentadas brigam com tudo que passa embaixo.
Com o que se confunde
A maior harmônica é a vizinha mais próxima e a confusão mais frequente, ajudada por nomes quase iguais. Tem segunda natural, uma só segunda aumentada e nada dessa simetria. O frígio dominante é a outra: 1 b2 3 4 5 b6 b7, mesma metade de baixo e sétima menor em cima.
A menor húngara é o quarto modo desta escala — as mesmas sete notas começadas de outro grau — e é por isso que soam aparentadas sem serem a mesma coisa. Comparar as duas a partir da mesma tônica resolve na hora.
Perguntas frequentes
Quais notas formam a escala bizantina?
Sete: 1 b2 3 4 5 b6 7. Em dó são dó, ré♭, mi, fá, sol, lá♭ e si.
Bizantina e dupla harmônica maior são a mesma coisa?
Sim, dois nomes para o mesmo conjunto. Hijaz Kar na prática árabe e maior cigana também designam esta escala.
Qual a diferença para a maior harmônica?
A maior harmônica tem segunda natural e uma só segunda aumentada. Aqui a segunda também é rebaixada, por isso são duas.
Qual a relação com a menor húngara?
A menor húngara é o quarto modo dela: as mesmas notas tocadas a partir do quarto grau.
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