Menor harmônica
Escalas nesta família: 7
A escala menor harmônica é a menor natural com o sétimo grau elevado em um semitom. Em lá menor fica lá si dó ré mi fá sol sustenido. Esse sétimo elevado devolve a sensível que falta à menor natural e transforma o acorde do quinto grau de menor em dominante com sétima: foi para isso que a nota subiu, e daí vem o nome.
Em lá menor, nota por nota
A menor natural de lá é lá si dó ré mi fá sol. Suba o sol para sol sustenido e duas coisas mudam de uma vez. Primeiro, o sétimo grau passa a ficar um semitom abaixo da tônica e puxa para ela. Segundo, a distância entre o sexto e o sétimo grau se alarga para três semitons: é a segunda aumentada, o intervalo que dá a essa escala a cor reconhecível na primeira audição.
A consequência harmônica é o assunto inteiro. Na menor natural, sobre o quinto grau há um mi menor que não conduz a lugar nenhum. Com sol sustenido ele vira mi maior, e com a sétima acrescentada vira E7: a atração de volta para lá menor fica tão forte quanto em uma tonalidade maior. Ninguém inventou a escala para depois compor com ela; a nota era elevada onde a cadência exigia, e a teoria batizou o resultado depois.
A segunda aumentada e o que ela não é
Entre fá e sol sustenido há um passo de três semitons, maior que qualquer passo da escala maior. Cantado ou tocado, é o som que a maioria dos ouvintes chama de exótico, e o motivo de a escala aparecer sempre que uma trilha quer indicar um lugar distante. Isso diz mais sobre os hábitos da trilha sonora do que sobre a música citada.
Vale a precisão. A segunda aumentada é um intervalo comum do temperamento igual e sai em qualquer piano. Já as tradições evocadas com ela — o maqam árabe, o makam turco — usam alturas que caem entre as teclas e não se reproduzem no piano. A menor harmônica pode parecer com elas por fora; não as contém.
Sete modos, e o que se usa de verdade
Como toda escala de sete notas, esta se lê a partir de cada grau e gera sete modos. Quase todos são material de especialista, mas o quinto — o frígio dominante — é usado mais que a própria escala mãe. Leia a menor harmônica de lá a partir de mi: mi fá sol sustenido lá si dó ré, uma terça maior com segunda menor por cima, que é o som do flamenco, do klezmer e de boa parte do metal.
Para quem toca violão a vantagem é direta: aprendida a escala mãe, o modo vem junto com o desenho. Muda apenas qual nota você trata como casa. O jeito rápido de ouvir isso é tocar uma frase que resolve em mi sobre o acorde E7 e, em seguida, a mesma figura resolvendo em lá sobre lá menor.
Os acordes que ela produz
Harmonizada em terças, a escala dá um conjunto que não aparece em outro lugar: tônica menor, segundo grau diminuto, terceiro aumentado, subdominante menor, dominante com sétima no quinto, sexto maior e acorde de sétima diminuta no sétimo grau. Dois deles justificam o estudo inteiro — a dominante e o diminuto —, porque resolvem para a tônica com uma força que a menor natural não tem.
Daí vem também a convenção clássica. A música em tom menor usa a natural nas linhas que descem, a harmônica na cadência e a melódica na subida até a tônica, tudo dentro de uma frase só. Tratar as três como escalas separadas para decorar perde o ponto: são três estados da mesma tonalidade, escolhidos conforme o que a harmonia pede naquele compasso.
Como estudar
No braço a escala cabe bem em três notas por corda, e a segunda aumentada aparece como uma abertura entre o indicador e o mínimo. Essa abertura é toda a dificuldade técnica e explica por que o vocabulário neoclássico dos anos oitenta se apoiou tanto nela: o desenho favorece palhetada alternada e padrões em sequência.
No teclado a digitação segue quase a da menor natural, mas quem trabalha é o ouvido. Toque uma cadência com dominante e improvise por cima, elevando o sétimo grau apenas no compasso da dominante. Ouvir a sensível aparecer exatamente quando a harmonia pede ensina a escala melhor do que percorrê-la isolada.
Perguntas frequentes
O que é a escala menor harmônica?
A menor natural com o sétimo grau elevado. Em lá: lá si dó ré mi fá sol sustenido.
Por que ela se chama harmônica?
O sétimo elevado transforma o acorde do quinto grau em dominante com sétima e dá ao tom menor uma cadência forte. A mudança foi feita pela harmonia.
Qual a diferença para a menor melódica?
A harmônica eleva só o sétimo grau; a melódica eleva o sexto e o sétimo na subida. Uma serve à cadência, a outra à linha ascendente.