Escala alterada
Esta escala também é conhecida por outros nomes: Super Locrian, Diminished Whole-Tone.
1 - 2 - 1 - 2 - 2 - 2 - 2Sobre Escala alterada
A escala alterada é 1 ♭2 ♯2 3 ♯4 ♯5 ♭7: o sétimo modo da menor melódica, também chamada de escala superlócria. A partir de sol♯ são sol♯, lá, si, dó, ré, mi e fá♯, as mesmas sete notas da menor melódica de lá contadas do sétimo grau. Ela reúne todas as alterações que um acorde de sétima de dominante pode receber.
Todas as alterações que uma dominante aceita
Um acorde de sétima de dominante tem duas notas que o definem — a terça maior e a sétima menor — e quatro que se dobram: a nona para cima ou para baixo, a décima primeira para cima e a décima terceira para baixo. A escala alterada traz a fundamental, a terça, a sétima e as quatro alterações ao mesmo tempo: ♭9, ♯9, ♯11 e ♭13.
Escrita assim, a estrutura se lê melhor do que na lista de intervalos. A segunda menor é a ♭9. A segunda aumentada é a ♯9. A quarta aumentada é a ♯11. A quinta aumentada é a ♭13. Fica sem alterar só o que o acorde precisa para continuar sendo dominante, e por isso a escala é lida sob a cifra G7alt.
O som vem daí. Tudo na escala puxa para algum lado, e nenhuma dessas tensões se resolve dentro dela: é uma escala para o acorde anterior à resolução, não para a resolução em si.
Alterada ou superlócria: os dois nomes
Os dois nomes indicam um único conjunto de notas. Superlócria descreve a estrutura: o modo lócrio já baixa tudo o que um modo de sete notas pode baixar, e esta escala baixa também a quarta — é o lócrio levado um passo além. Alterada descreve o acorde a que ela serve.
O nome que uma fonte usa indica de onde ela vem. A teoria modal e acadêmica costuma dizer superlócria; os métodos de jazz e as cifras dizem alterada, porque é assim que ela aparece acima da pauta. Em português a segunda forma é a mais procurada.
Existe ainda um terceiro nome que vale reconhecer: diminuta de tons inteiros, que descreve o formato. A metade de baixo anda por semitom e tom, como uma escala diminuta, e a de cima por tons inteiros. As notas continuam as mesmas.
O atalho do semitom acima
Ninguém decora a escala alterada como desenho próprio. A regra de trabalho cabe numa frase: sobre um acorde de dominante, toque a menor melódica um semitom acima da fundamental dele. Sobre G7alt, a menor melódica de lá♭. É todo o truque, e explica por que aprender a menor melódica em cinco posições vale mais do que aprender qualquer modo dela separado.
A conta fecha: a menor melódica de lá♭ é lá♭, si♭, dó♭, ré♭, mi♭, fá e sol; lida a partir de sol dá sol, lá♭, si♭, dó♭, ré♭, mi♭ e fá — fundamental, ♭9, ♯9, terça, ♯11, ♭13 e ♭7. Todas as alterações presentes, nada sobrando.
O aviso prático é sobre resolução, não sobre digitação. A escala é tensa por construção: funciona sobre a dominante e para de funcionar no instante em que o acorde muda. Quem gosta do som costuma segurá-lo um tempo a mais; cair numa nota do acorde de destino é o que faz a tensão soar como intenção.
Onde se usa de verdade
O lugar padrão é a dominante do II–V–I menor: Bm7♭5, E7alt, Am. A escala alterada sobre o E7 dá a tensão máxima disponível antes da resolução e, como o destino é menor, ♭13 e ♭9 entram sem esforço: já são notas da tonalidade de chegada.
Sobre dominantes que resolvem em maior também funciona, com efeito mais áspero e exigindo mais cuidado: a ♯9 contra um destino maior é o som de boa parte do pós-bop, e ali é escolha e não padrão. Sobre uma dominante parada, sem resolução à vista, a escala começa a soar como exercício, pelo mesmo motivo que a menor harmônica sobre o acorde de tônica.
Fora do jazz ela aparece onde quer que se carregue uma dominante: fusion, parte da trilha de cinema e, pela sobreposição com o som diminuto, também o metal. O que ela não é: uma escala de uso geral. Cada nota dela é definida pelo acorde de baixo, e sem esse acorde as alterações não têm em relação a que estar alteradas.
Perguntas frequentes
O que é a escala alterada?
O sétimo modo da menor melódica: 1 ♭2 ♯2 3 ♯4 ♯5 ♭7, lido diante do acorde como fundamental, ♭9, ♯9, terça, ♯11, ♭13 e ♭7. A partir de sol♯ são sol♯, lá, si, dó, ré, mi e fá♯. É tocada sobre acordes de sétima de dominante alterados.
Escala alterada e superlócria são a mesma coisa?
Sim, são dois nomes do mesmo conjunto de notas. Superlócria descreve a estrutura — o lócrio com a quarta também baixada — e alterada descreve o acorde a que serve. Um terceiro nome, diminuta de tons inteiros, descreve o formato das duas metades dela.
Como tocar a escala alterada na guitarra?
Tocando a menor melódica um semitom acima da fundamental do acorde de dominante. Sobre G7alt, a menor melódica de lá♭: saem exatamente fundamental, ♭9, ♯9, terça, ♯11, ♭13 e ♭7 do acorde. Não é preciso digitação separada se a menor melódica já estiver estudada por posições.
Quando usar a escala alterada?
Sobre um acorde de sétima de dominante que vai resolver, principalmente o V7 de um II–V–I menor. A tensão que ela cria depende da resolução chegar; sobre uma dominante parada, ou segurada além da troca de acorde, soa como estudo e não como frase.
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